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A metodologia IRDI define-se atualmente como um procedimento de acompanhamento do desenvolvimento psíquico feito por psicanalistas em instituições de educação infantil por meio de indicadores clínicos com valor de previsão precoce de problemas de desenvolvimento. Este livro apresenta os resultados qualitativos de uma pesquisa cujo alvo foi testar esta metodologia de formação e de acompanhamento em serviço de professoras de educação infantil baseada no instrumento IRDI. Buscou-se investigar se o uso dessa metodologia no âmbito da educação infantil contribui para a diminuição da incidência de problemas psíquicos ulteriores.

Capítulo: As posições discursivas dos educadores de creche e seus efeitos nas práticas com bebês. Ana Paula Magosso Cavagioni e Mariana Anconi.


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Uma formação que se pretenda rigorosamente orientada pelo espírito que marca a transmissão de Lacan exige estratégias que mantenham o psicanalista em uma posição de trabalho, de reflexão sobre o ato que define sua operação como psicanalítica. (...)Para que haja psicanalista, a formação exige uma prática que não encontre apoio nas garantias, mas nas perguntas, pois são elas que mantêm o saber no lugar que lhe cabe: imprescindível como o saber da madeira para o carpinteiro, mas sem encontrar jamais a mestria e a rigidez das regras como destino.

 "Quanto à qualificação, há bastante tempo que, para tudo o que é do saber, a reflexão construtiva acerca da episteme colocou em causa o praticante, quando se trata de um saber; tanto que em Platão, cada vez que se trata de assegurar um saber em seu estatuto, prevalece a referência ao artesão, e nada parece contradizer o anúncio de que toda prática humana – digo prática, já que o fato de fazermos prevalecer o ato não quer absolutamente dizer que nós repudiaríamos a referência a ela – todo praticante supõe um certo saber, se queremos avançar no que é da episteme. Todo o saber da madeira, eis que para nós definirá o carpinteiro" (Lacan, 1967-68).

 Sem o conforto burocrático do setting, nem as ilusões de um outro colocado no lugar de mestria que o tripé freudiano corre o risco de caucionar, caberá ao praticante colocar o saber a trabalho para enfrentar a angústia inerente às dificuldades de sua prática, fazendo dela a causa que mobiliza seu desejo de saber. Assim, uma formação que se pretenda rigorosamente lacaniana não poderia estar apoiada nem pelas qualidades pessoais do psicanalista, nem naquele com quem o psicanalista estuda, se analisa ou supervisiona seus casos, mas no ato cujos efeitos caracterizam uma análise, e na reflexão constante que esse ato exige, a fim de que a angústia não opere como resistência, exigindo um mestre como resposta a obturar o trabalho.

Este livro, que é o segundo volume de nossa coleção, reúne psicanalistas que se dedicaram a tal reflexão, tomando como ponto de partida sua prática clínica, seu desejo de transmitir algo dessa prática e o desafio de fazê-lo pela escrita

Michele Roman Faria

Capítulo: A resistência do analista e o diagnóstico médico grave. Carolina Escobar e Mariana Anconi


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2019