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Digressões II

Digressões II

2018. O ano de diálogos.

Conversas estranhas com conhecidos. Conversas agradáveis com estranhos.

Goles de café com pessoas que não checam o relógio (ou o celular), pois não têm medo de se perder no tempo de vez em quando. 

Algumas rupturas, porque se tornaram necessárias. Outros laços ficaram mais fortes com a distância que, entendi agora, é do tamanho da saudade. 

O sotaque da língua materna que entrega. Que me faz estrangeira. Isso não precisa ser um problema. Não deve.

O ano em que vi o lado perverso da saúde nas mãos dos planos de saúde. A saúde, seja ela pública ou privada, está doente.

O ano em que reencontrei a violência. Com uma outra cara, mas com o mesmo corpo estrutural problemático: políticas públicas.

Homens e mulheres delirando nas ruas. Paranoia a céu aberto. Vão tentando lidar com seus corpos, seus medos e desamparo sem acolhimento profissional. Violentados.

O ano em que me apaixonei por mulheres. Cantoras, pintoras, escritoras, pensadoras, feministas. Falarei de cinco que me marcaram em 2018.

O ano em que andei. As distâncias novamente se relativizaram. São luis, São Paulo e Manhattan. Opostos. Avessos. Iguais.

O ano da cidade vertical, em que muitas vezes precisei buscar espaços horizontais. De encontros. De por do sol. De mãos dadas. De música e crianças dançando. De ler mensagens escritas e inscritas nas paredes e muros da cidade que me despertaram a curiosidade e o desejo pela pesquisa novamente.

Elegi um parque o meu lugar favorito. Desconfio que as pessoas tem um lugar “seguro” na cidade. Um lugar para respirar. Para pensar, ainda, na vida. Esses lugares “ seguros” são essenciais em cidades grandes. 

O ano em que entendi que não se ensina a escutar o outro, a escuta se transmite.

Por fim, o ano do desconforto, do avesso  do sentido.
O avesso, às vezes, é só a revelação do que sempre evitamos. 

Digressões I

Digressões I

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