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3 de Maio de 2018

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Hoje iniciamos o GEP (Grupo de Estudos em Psicanálise) em Nova York. Duas psicanalistas brasileiras entraram em contato algumas semanas antes para participar, tornando possível o início do grupo.

A diversidade de eventos e seminários em Nova York ainda é de certa maneira limitada. Falo isso com um tom de desânimo, mas ainda, com uma ponta de esperança que isso mude. Não é novidade que nos Estados Unidos outras abordagens circulam nas instituições e entre os profissionais da saúde. Isso ocorre por diversas razões. Destaco duas delas:

1. pelo histórico da leitura e interpretação feita da psicanálise como disciplina considerada fora do do campo científico;

2. pela empreitada (destas abordagens) em responder as demandas sociais e culturais relacionadas a cura e tratamento em saúde mental.

A psicanálise, justamente por incentivar a construção de questões acerca de certezas e paradigmas, também paga um preço alto por isso. Um deles seria estar a margem no campo dos saberes. 

Por estar a margem, o esforço para uma desconstrução de uma saúde mental medicalizada e psiquiatrizada é grande. No entanto, estar a margem contempla também a ideia de um saber que não complementa os outros, como na lógica das especialidades em que cada profissional cuida de uma parte do corpo. A psicanálise cuida do sujeito no corpo. 

Nesse momento, surgem questões ligadas a cultura e o lugar de estrangeira que podem ser do nível mais básico ao mais complexo. Lidar com a língua estrangeira, por exemplo, é lidar com uma nova janela de significantes que dizem desta cultura. Palavras, expressões, piadas, o que é uma ofensa, o que é um elogio, etc. O estrangeiro estranha tudo isso que deveria ser básico. 

Aliás, existe questão básica quando falamos de cultura? Hoje vejo que há um caminho (longo, talvez) para que se possa constituir um lugar particular de estrangeira. Particular porque não me refiro apenas ao coletivo, mas ao singular deste lugar. Esta construção pode ser feita só, mas também pode ser feita com alguns outros, em diferentes espaços. 

Assim, o grupo (GEP) surge como espaço de discussão no que compele a temática do estrangeiro, da psicanálise em diferentes culturas (como nos EUA) e o laço social.

Neste primeiro dia de grupo, fizemos um retorno a Freud quando este veio aos Estados Unidos em 1909 a convite do presidente da Clark University: Stanley Hall. Ao chegar aqui, Freud disse estar trazendo a peste, se referindo ao caráter subversivo deste saber. Nesta viagem, proferiu palestras em alemão que ficaram conhecidas como As cinco lições em psicanalise (1910). Freud resolveu mudar o tema em cima da hora (que seria sobre os sonhos) para um compilado sobre a teoria e prática deste saber no início do século XX.

A importância e peso desta viagem está na constatação de que a psicanálise avançava territórios numa época que não havia internet. Pessoas de diversos lugares liam e escreviam trabalhos atravessados por essa práxis. Mesmo assim, a leitura do texto nos mostrou um Freud dividido: feliz pelo reconhecimento, mas apreensivo justamente pelo prestígio obtido em uma cultura como nos EUA em que nada lhe era familiar. 

 Texto lido:  Myriam Chinalli - A chegada da peste: cem anos da viagem de Freud aos EUA (1909-2009) / The Arrival of the Plague: A Century of Freud's Trip to the USA. (1909-2009)


Mariana Anconi

 

 

 

10 de Maio de 2018

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