Contato: contact@anconimariana.com

6 de Julho de 2018

-

1. Continuamos a leitura da "Segunda lição" de Freud. Logo no inicio da fala de Freud em uma das cinco conferências na Clark University ele menciona sobre os desejos. Exatamente assim, no plural. O que gerou a discussão sobre o conceito de desejo em psicanálise. 

O desejo é um só? O desejo é o desejo inconsciente. É também aquele através do qual as estruturas clínicas: neurose, psicose e perversão se delineiam. Em psicanálise, um jeito de dizer é que o desejo pode ser da ordem do impossível, ou da insatisfação, por exemplo. É função do analista apontar para ele na direção do tratamento. 

Questões como: Vontade e desejo são equivalentes ? O sujeito quer o que deseja?

Há uma frase famosa dita por Lacan: "o desejo é o desejo do Outro". Nesse sentido, a pergunta que o neurótico faz sobre o que o outro quer aponta para esta frase dita por Lacan. A discussão sobre o desejo e o querer levaram a discussão para o âmbito da clínica. Quando, por exemplo, escutamos pacientes que remetem a esta dissociação entre querer e desejo através de seus sintomas.

2. Dando continuidade a leitura do texto, Freud fala a respeito de um caso de uma jovem que no momento em que estava no leito da irmã morta correu-lhe na mente o pensamento: "ele agora está livre, pode desposarem" referindo-se ao cunhado, marido da irmã. Logo em seguida, a jovem recalca este pensamento. 

Este trecho em que Freud fala do recalque fez surgir uma questão sobre o corte da sessão.

Se o analista corta a sessão no significante ou na posição subjetiva, é porque há uma aposta que o sujeito não recalque logo em seguida. Muitas vezes se escuta dos pacientes "tive uma ideia boba", ou ainda, "me veio um pensamento bizarro que nem vale a pena falar". Há que se considerar os pensamentos "bobos" ou as ideias "absurdas" justamente por revelarem um pedaço de verdade do sujeito. 

3. No âmbito do corte, surgiu uma questão sobre o que se produz com o corte. Foi citado o exemplo do paciente sair angustiado da sessão e, se portanto, a angustia seria um efeito do corte da sessão. Neste momento, foi importante pontuar que a angustia nao deveria ser produzida pelo analista ou pelo corte da sessão. O corte da sessão no tempo lógico nao tem esta função. O paciente pode estar angustiado em determinados momentos  por estar no lugar de objeto – como no matema S barrado punção de a – e não devido ao corte.

Lacan em seu ensino utiliza-se da topologia em determinado momento (a partir do seminário 8) para justamente avançar a respeito dos efeitos do corte. Com as figuras topológicas é possível perceber como cada uma vira outra coisa, assim como o corte no significante na fala do paciente. Por exemplo, na banda de moebius, se fizermos um corte transversal ela tomará a forma de outra figura conhecida como o oito interior.  

Inflamada

3 de Julho de 2018

0